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Somente os cartuchos originais são dignos de confiança?


Texto publicado na revista Recicla Mais, nº 171 de março de 2016



É comum, ao ler editais da grande maioria dos órgãos públicos, encontrar as seguintes exigências:


  • os produtos deverão ser originais e/ou compatíveis, podendo ser de outras marcas e não será permitida a entrega de produtos remanufaturados, reciclados, recondicionados ou pirateados ......;
  • o cartucho poderá ser: original e/ou compatível, desde que a Empresa apresente laudo técnico devidamente habilitado pelo INMETRO, exceto para o cartucho original;
  • apresentar, no caso da oferta de cartuchos de toner de marca diferente da marca da impressora a que se destinam, no ato do pregão, Laudo/Relatório de Análise Técnica expedido por laboratório de ensaio acreditado pelo INMETRO, pertencente à Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio (RBLE), com escopo de acreditação na norma brasileira ABNT/NBR/ISO/IEC 17025, para realização de ensaios ópticos comparativos com um cartucho de toner original do fabricante da impressora e também com a norma brasileira ABNT/NBR/ISO/IEC 19752, que comprove a boa qualidade e o bom desempenho dos cartuchos quando empregados no fim a que se destinam;
  • apresentar prova de atendimento de requisitos na forma do art. 30, Inciso IV, da lei de licitações, qual seja a apresentação de documentos técnicos que permitam aferir objetivamente que o produto apresentado atende às normas técnicas Nacionais, que são editadas pela ABNT, conforme descrito a seguir:

    • o laudo técnico deverá possuir data de emissão não superior a 180 dias da data da realização do pregão;
    • somente serão aceitos Laudos/Relatórios da Análise Técnica efetuados em impressoras cuja marca e modelo sejam idênticos às existentes nas instalações da Contratante;
    • o referido Laudo/Relatório deverá conter no mínimo o seguinte: dados sobre a embalagem do produto; informação do lote de fabricação e o prazo de validade; informação da marca, modelo e número de série da impressora onde foram realizados os testes; estado do produto, isto é, se o cartucho de toner está em boas condições e sem avarias; descrição da aparência se há indícios de reaproveitamento de peças ou se o mesmo apresenta aparência de novo; relato sobre a ocorrência ou não de vazamentos durante os testes; peso do cartucho de toner antes e depois do teste; data de recebimento da amostra data de início e de conclusão do teste; a metodologia adotada e os equipamentos e insumos utilizados; as condições ambientais do laboratório durante a execução dos testes; consumo, em miligrama por página, durante os milheiros de páginas impressos; medidas de densidade óptica em papel após a impressão; gráficos, planilhas e tabelas com os dados levantados durante o teste; fotos dos cartuchos testados e conclusão ......

E, por incrível que pareça, algumas vezes, vemos a exigência de que o licitante deverá apresentar laudo do fabricante da impressora que constate a qualidade de seu produto.


Embora concorde que sejam feitos testes antes da aquisição de cartuchos, absolutamente não concordo que somente os cartuchos não originais sejam submetidos a tantas exigências.


Também concordo que existem alguns motivos para tanta desconfiança em relação ao produto não original, mas alguns fabricantes nacionais possuem cartuchos recondicionados iguais ou melhores do que os originais.


E o mais absurdo ainda é que alguns OEM estão recondicionando cartuchos no Brasil, mas como são comercializados como se originais novos fossem, não precisam se submeter a esse monte de exigências.


Porque o recondicionado brasileiro precisa se submeter a este exagero de exigências e o "original recondicionado" não?

 

Porque damos mais valor ao produto do OEM, mesmo recondicionado, do que aos produtos feitos no Brasil com mão de obra brasileira e por empresas que lutam há anos para provar que possuem um material confiável e tão bom quanto o original novo.


Os OEM que hoje "recondicionam" seus produtos no Brasil usam os mesmos insumos que os fabricantes nacionais.


Porque esses insumos no original "recondicionado" são considerados como bons e quando colocados nos cartuchos recondicionados pelos não originais são considerados insumos não confiáveis?


Enquanto trabalhei no laboratório de controle de qualidade do BB, nunca dispensei atenção especial aos originais. Afinal, eles também são produzidos por pessoas e por melhor que seja o produto novo, falhas podem acontecer em um processo produtivo e como prova disso, mais de 5.000 cartuchos originais foram devolvidos quando da sua análise.


Não tiro totalmente a razão de quem exige isso e aquilo dos cartuchos recondicionados, pois foi a própria industria nacional quem deu o tiro no pé e colocou no mercado alguns milhares de péssimos produtos.


Mas alguns fabricantes nacionais possuem produtos tão bons ou melhores do que os cartuchos originais.


Mas para colocar seu produto em empresas brasileiras são obrigadas a submeter seus produtos a um sem número de testes e somente com os laudos provenientes destes testes podem vender seus produtos.


Claro que isso é um grande negócio para os laboratórios que estejam acreditados para a realização dos testes.


Um laudo emitido hoje não possui mais validade após algum tempo e as empresas, se quiserem estar aptas a se enquadrar nas exigências, teriam que ficar repetindo os mesmos testes a cada X meses.


Extremamente conveniente para os laboratórios e para os cartuchos originais não é? Para os laboratórios seria uma fonte inesgotável de recursos e como vendedores dos originais, os OEM estão dispensados desta burocracia.


Eu participei, como representante do Banco do Brasil, das comissões da ABNT para adaptação das normas ISO/IEC 19752, 24711, 24712 e 19798. Era um dos poucos consumidores a participar das comissões.


E eu, em várias ocasiões, afirmei nas reuniões que, apesar de fazer parte da comissão, eu não usaria as normas para os testes efetuados no Banco do Brasil.


Para mim não fazia sentido algum ter que usar três impressoras novas e três cartuchos por impressora para testar um determinado modelo de cartucho.


Já era difícil conseguir uma impressora de cada modelo. Imagina três. E haja espaço para se colocar tantas impressoras.


E usar ainda um teste com cobertura de 5% que me levaria a gastar, em um cartucho de 21.000 páginas, 189.000 folhas de papel ou 378 resmas ou ainda 37,8 caixas com 10 resmas cada uma.


Além do que o teste de 5% de cobertura serve apenas para determinação do rendimento do cartucho. E os outros parâmetros do cartucho? Não teriam que ser mensurados também?


E isso para testar apenas um modelo de cartucho. Para mim isso é totalmente inviável. Eu já era criticado por gastar muitas páginas nos testes que eram efetuados. Imagina se eu fosse seguir a norma.


E o mais interessante é que os laboratórios acreditados para realização dos testes NÃO possuem as impressoras. Elas têm que ser emprestadas pelas empresas recondicionadoras. Estas, quando são obrigadas a submeter seus cartuchos para testes, precisam levar, além dos cartuchos, as impressoras, o papel a ser utilizado, os cabos de ligação e os estabilizadores de energia.


E aproveito para fazer um questionamento: Dá para confiar nos laudos? Será que ele reflete a realidade sobre a empresa que o solicitou? Será que as amostras apresentadas foram realmente produzidas pela empresa que o está solicitando? E os laudos são efetuados nas amostras. E o material entregue? Não teria que ser, também, submetidos a testes?


Em um artigo anterior - A Indústria do Laudo - faço mais alguns comentários sobre isso.


O que alguns não sabem, é que a norma originalmente exigia bem mais do que três impressoras e três cartuchos por impressora.


Obviamente, a norma foi elaborada para dificultar que um cartucho não original pudesse ser considerado como um produto de qualidade.


No laboratório de controle de qualidade do Banco do Brasil, e pelos motivos acima descritos, não tinha como fazer uso da norma ABNT. Tínhamos nossa própria metodologia para atestar a qualidade dos cartuchos que nos eram enviados para análise.


O primeiro passo era elaborar a especificação técnica tão detalhada quanto possível (assunto que será tratado em um próximo artigo). O segundo era o desenvolvimento de testes de impressão capazes de identificar defeitos provenientes de qualquer componente do cartucho. E o terceiro era conhecer as empresas que estavam interessadas em fornecer para o BB, seus processos produtivos, capacidade de produção e qualidade dos insumos utilizados.


O Banco do Brasil virou referência no uso de cartuchos recondicionados e obteve uma economia substancial ao conseguir usar os recondicionados ao invés dos bem mais caros originais.


Essa economia, contada desde o início do uso dos recondicionados no final de 1998, com certeza ultrapassa hoje o bilhão de reais.


Outro recurso que os OEM usam para tentar inibir o uso de cartuchos recondicionados é ameaçar o usuário com a perda de garantia da máquina.


Isso é tentativa de venda casada e o Código do Consumidor veta esse tipo de atitude. No BB esse item foi facilmente resolvido com a inclusão de uma cláusula no edital de compra de impressoras que dizia claramente que o BB se reservava o direito de usar cartuchos recondicionados de qualidade e que isso não acarretaria na perda de garantia das impressoras.


Como o BB, com seus mais de 5.000 pontos de atendimento, era um dos maiores compradores de equipamento do mercado, nenhuma empresa fabricante de impressora se atrevia a ir de encontro a esta clausula.

 

Mas a maioria das empresas não possuem um laboratório de controle de qualidade e usam as exigência da norma para se precaver de adquirir produtos de má qualidade.

 

Mas, em minha opinião, esta não é a única forma de garantir a aquisição de material de qualidade.

 

As boas empresas recondicionadoras possuem ISO 9.000 e 14.000. Claro que isso não interfere diretamente na qualidade dos cartuchos produzidos por ela, mas já é um caminho a ser seguido por quem está interessado em adquirir cartuchos de qualidade e a preços inferiores aos dos originais.

 

Com mais de um OEM colocando no mercado cartuchos recondicionados como se novos fossem, a injustiça em relação aos bons cartuchos recondicionados aumentou de escala.

 

Se os cartuchos adequadamente recondicionados são tão bons ou melhores do que os originais novos, eles são MUITO melhores do que os originais recondicionados.

 

Eu já testei alguns deste cartuchos e não aprovei e já ouvi muitas reclamações sobre a qualidade dos mesmos.

 

A concorrência é injusta. Como já disse, por serem comercializados pelos OEM e/ou seus distribuidores, estes originais recondicionados são dispensados da apresentação de laudos enquanto os adequadamente recondicionados têm que ser submetidos a essa burocracia infindável.

 

Mas como as empresas podem se precaver quando da aquisição de cartuchos e garantir a compra somente de produtos de qualidade?

 

Não existe apenas uma única resposta e sim vários conjuntos de respostas.

 

Podemos começar evitando cartuchos com preços muito baixos. Um cartucho de qualidade deve possuir um preço que permita o seu adequado recondicionamento.

 

E que preço seria esse? um parâmetro que pode ser utilizado é um preço que corresponda a uma porcentagem do preço de um cartucho original novo. Por exemplo: se um cartucho original de uma determinada impressora custa R$ 800,00 um bom preço para um recondicionado seria de R$ 400,00 a R$ 480,00 ou 50% a 60% do preço.

 

Obviamente isso é uma estimativa mas esse critério pode ser utilizado para se ter uma ideia do preço que estão pedindo. Nos Estados Unidos um recondicionado custa de 40 a 70% de um original, dependendo do fornecedor.

 

Mas, posso afirmar com toda a certeza que vendendo a R$ 400,00, o fornecedor possui todas as condições de ter um bom produto, pois esse preço permite que se trabalhe com insumos de qualidade.

 

Empresas que possuem certificação ISO 9.000 e/ou 14.000 possuem processos certificados. Embora, como dito antes, isso não interfira diretamente na produção, pode ser um diferencial.

 

Empresas que sejam fornecedoras de outras grandes empresas também pode ser um parâmetro a ser utilizado.

 

Se sua empresa consome muitos cartuchos de um determinado modelo, fazer um teste piloto com um novo fornecedor pode ajudar a encontrar uma nova fonte de produtos de qualidade.

 

A EQual Consultoria em Qualidade está a disposição caso sua empresa necessite encontrar bons fornecedores.

 

A EQual Consultoria possui dezenas de impressoras e com a mesma metodologia utilizada no Banco do Brasil, pode garantir a qualidade do material que lhe será fornecido.

 

Com a elaboração de uma especificação técnica que atenda às necessidades da sua empresa, com a utilização de testes que possam encontrar qualquer falha que um cartucho possa vir a apresentar e com a análise de amostras em todas as fases do processo, posso garantir a sua total satisfação quanto aos resultados finais.

Roberto Palmer
EQual Consultoria em Qualidade – Brasília-DF

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