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QUALIDADE???



Aproveitando a deixa do meu amigo Cassio Rodrigues (Revista Recicla Mais nº 159) vamos a mais um artigo sobre a qualidade ou a falta dela.


Embora, ultimamente, falar em Qualidade pareça fazer pregação no deserto, continuo com a convicção de que qualidade continua sendo a palavra chave para o futuro de qualquer empresa.


Muito se fala hoje que o mercado está ruim para os remanufaturadores, que os preços estão muito baixos, que a margem de lucro está cada vez menor. Mas qual seria a causa de tantas reclamações?


Vamos voltar um pouco no tempo e fazer uma mea culpa?


Quando começou a implantação do uso de cartuchos recondicionados no Banco do Brasil em 1998, quase não havia empresa remanufaturadoras no mercado. Era um mercado que estava começando a despontar.


A moda anterior eram impressoras matriciais. As impressoras jato de tinta e as laser começavam a aparecer.


Pesquisando durante um ano, cheguei à conclusão que existiam opções aos caros cartuchos originais e que com um controle de qualidade efetivo era possível adquirir cartuchos remanufaturados a bom preço e com a mesma qualidade dos originais.


Deu-se início então ao programa de uso de cartuchos recondicionados no Banco do Brasil.


O que eu vi, logo no inicio, era que existiam dois tipos de empresas. As que recondicionavam adequadamente o cartucho, trocando tudo o que era necessário, e as que simplesmente recarregavam o pó de toner, gerando produtos de péssima qualidade.


No Banco do Brasil, nesta época, vistoriávamos todas as empresas que desejavam se tornar fornecedoras. Visitei empresas por todo o país e, infelizmente, o que verifiquei era que a grande maioria delas fazia a recarga e não o recondicionamento.


Por motivos óbvios um cartucho recarregado é muito mais barato do que um recondicionado.


E por serem mais baratos, tomaram o mercado. Como sua qualidade era péssima e eram vendidos como se “recondicionados” fossem, não demorou muito para que a rejeição a eles tomasse conta de todo o mercado.


Os cartuchos recondicionados viraram os vilões do mercado. Nenhuma empresa os queria.


Embora houvesse empresas com excelentes cartuchos remanufaturados, estas não podiam competir em preço com os seus demais “concorrentes” que faziam apenas a recarga.


O Banco do Brasil conseguiu separar o joio do trigo e não tinha problema algum em comprar produtos de qualidade, mas era praticamente o único a conseguir fazer isso. Quantas empresas no mercado tinham um laboratório de controle de qualidade?


As demais empresas, por não terem condições de fazer o trabalho que era realizado no laboratório do BB, simplesmente se recusavam a comprar cartuchos recondicionados.


Passaram a exigir somente cartuchos originais, de primeiro uso ou novos.


Foi a deixa para os cartuchos compatíveis começarem a tomar conta do mercado.


No início, alguns “remanufaturadores”, tentaram vender seus produtos como se “compatíveis” fossem. Era uma tentativa de se desconectar da nomenclatura “recondicionados”, mas estavam realmente tentando ludibriar seus clientes. Não tinham nada de compatíveis e inclusive algumas das empresas que apenas recarregavam os cartuchos tentaram vender estes mesmos produtos como se fossem compatíveis.


Como sua qualidade era péssima, acabaram dando um tiro no pé, pois a rejeição do mercado a este tipo de produto aumentou.


O BB, entretanto, continuava a comprar produtos de excelente qualidade.


Mas o resto do mercado não tinha essa possibilidade e passaram a rejeitar fortemente os cartuchos recondicionados e os compatíveis da época.


Os cartuchos chineses eram cartuchos novos. Não eram recondicionados e como tal começaram a tomar conta do mercado.


Com seus preços ridiculamente baixos começaram a tomar o mercado das empresas nacionais. Tanto das que recondicionavam adequadamente como das que apenas recarregavam os cartuchos. Embora qualidade não fosse o forte dos cartuchos chineses, seu preço o fez tomar conta do mercado.


Quase todas as empresas que apenas recarregavam os cartuchos começaram a comercializar os cartuchos chineses, pois não tinham trabalho algum a fazer senão revendê-los.


E algumas das boas empresas também fecharam sua linha de produção e passaram a trabalhar com o produto chinês.

Ao invés de contratar mão de obra local, passaram a pagar a mão de obra chinesa para obter seus produtos.


Nenhuma empresa brasileira consegue competir com a escala de custos dos chineses.


Mas seus produtos eram novos e conseguiram entrar em um mercado onde os recondicionados continuavam sendo rejeitados.


E assim tomaram conta do mercado. Mesmo possuindo uma qualidade discutível, seus preços extremamente baixos os tornaram imbatíveis.


Muitas empresas nacionais ao tentarem usar cartuchos chineses de péssima qualidade ou ao tentar brigar com preços tão baixo quanto, acabaram fechando as portas.


Ou seja, a culpa do mercado estar péssimo para as empresas nacionais é delas mesmo. Se a qualidade fosse uma preocupação de todas desde o início, não haveria espaço para os cartuchos chineses entrarem.


A qualidade de qualquer cartucho adequadamente recondicionado é muito superior aos dos cartuchos chineses.


Mas, infelizmente, a grande maioria das empresas escolheu o caminho mais fácil, a recarga e sua falta de qualidade.


O resultado é este que vemos hoje. Um mercado em baixa, com empresas sendo fechadas e as que estão ainda estão em funcionamento praticando preços cada vez mais baixos.


O problema de preços cada vez mais baixos, é que a qualidade certamente vai diminuir junto com os preços. E aí o mercado vai dar, novamente, mais um tiro no pé.


Qualidade nunca combinou com preços baixos. Qualidade custa caro. O parâmetro de comparação não poder ser um cartucho chinês de baixa qualidade. A comparação de preço tem que ser feita com os cartuchos originais.


E o interessante é que algumas empresas estão preferindo voltar a usar cartuchos originais a continuar com os chineses. Muitas tiveram um sem número de problemas com estes e estão preferindo voltar a pagar mais caro para ter a qualidade dos produtos originais. Mas será que consideraram a hipótese de comprar os cartuchos adequadamente recondicionados?


Ainda existem empresas que produzem cartuchos recondicionados com qualidade similar ou até melhor do que os originais. Poucas mas ainda existem.


Me coloco a disposição para aqueles que necessitam adquirir produtos de qualidade a bons preços.


Com o uso da mesma metodologia aplicada no Banco do Brasil, posso garantir que os produtos adquiridos por sua empresa terão qualidade igual ou melhor do que os cartuchos originais.


A EQual continua afirmando que a solução para bons produtos é a qualidade e não somente o menor preço.


O MELHOR preço é aquele que devia ser praticado. O melhor preço é aquele que possibilita um produto de qualidade e uma margem de lucro que permita manter a existência da empresa.


O MELHOR preço é aquele que permite trabalhar com insumos de qualidade, que permite ter e manter os bons funcionários, e que permite possuir equipamentos adequados para a produção de produtos de qualidade.



Roberto Palmer
EQual Consultoria em Qualidade – Brasília-DF

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