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No dia 09/08/2012 a página principal do portal UOL nos brindou com a matéria “Saiba mitos e verdades sobre cartuchos remanufaturados para impressoras”


Texto publicado na seção de Tecnologia do portal UOL, http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2012/08/09/saiba-mitos-e-verdades-sobre-cartuchos-remanufaturados-para-impressoras.htm

 

O que está escrito na matéria é extremamente tendencioso, impreciso, mistura diferentes assuntos e ao invés de explicar alguma coisa, confunde ainda mais o usuário.

A matéria faz confusão entre cartuchos para impressora jatos de tinta e cartuchos de toner para impressoras laser.

Vamos primeiro esclarecer alguns conceitos.

Para os cartuchos jato de tinta não faz sentido se falar em recondicionar ou remanufaturar, pois estes não possuem componentes substituíveis. Para estes cartuchos somente a recarga pode ser considerada.

Enquanto que para os cartuchos de toner para impressoras laser, podemos falar em recondicionamento/remanufatura ou a simples recarga.

Para este tipo de cartucho, o recondicionamento/remanufatura seria a limpeza completa e a troca dos componentes internos desgastados. Quando bem feito e com insumos de qualidade, o resultado é um cartucho igual ou melhor do que o original.

Na recarga, somente pó de toner é acrescentado ao reservatório e em alguns casos, sem sequer retirar o resto de pó que havia antes. O resultado é um cartucho de péssima qualidade.

Não há comparação entre estes dois processos. O primeiro é capaz de produzir cartuchos de qualidade desde que haja a utilização de insumos, também, de qualidade.  Quando se usa insumo de baixa qualidade, e estes existem em grande quantidade, o resultado será sempre um produto de qualidade inferior.

Na recarga, somente um milagre é capaz de proporcionar produto de qualidade, pois como nenhum componente interno é substituído, qualidade é quase impossível.

No mercado brasileiro, existem empresas que usam sempre o primeiro processo e empresas que usam o segundo.

E nas que usam o primeiro processo, existem aquelas que trabalham somente com insumos de qualidade, e aquelas que preferem trabalhar com insumos mais baratos e que vão gerar produtos de qualidade inferior.

Cabe ao usuário a dura tarefa de identificar quem é quem.

Mas genelarizar, como vemos na matéria, não faz o menor sentido.

Existem sim, empresas com material de ótima qualidade e o Banco do Brasil pode comprovar isso. O BB usa cartuchos recondicionados desde 1998 e sempre conseguiu adquirir produtos de qualidade e a um custo muito inferior aos cartuchos originais.

Eu, como uma das pessoas responsáveis pelo desenvolvimento e implantação do programa de uso dos cartuchos recondicionados no BB, posso falar um pouco sobre isso.

Na verdade, o grande mito é o fato dos fabricantes de impressora e fornecedores de cartuchos originais sempre acusar o cartucho recondicionado de possuir baixa qualidade, independente da empresa que o produz.

O mito é continuar insistindo que somente cartuchos originais possuem qualidade e que TODOS os demais são materiais ruins e de qualidade inferior.

Vamos então rebater algumas coisas tidas como verdades absolutas e descritas na matéria do UOL.

Evidentemente não existe cartucho, seja de que tipo for, que vá durar para sempre. Cartuchos de qualquer modelo de impressora tem vida útil definida. Cabe ao usuário escolher aquela que mais lhe atende e essa escolha pode ter como parâmetro o número de páginas a serem impressas.

O barato pode sair caro? Com certeza sim, se a escolha do usuário for apenas pelo quesito menor preço. Mas se o usuário considerar o preço e a qualidade do produto, as chances de se conseguir um produto que lhe atenda perfeitamente aumentam e muito.

Para qualquer modelo de impressora existem os cartuchos com preços extremamente baixos e de qualidade duvidosa, os preços extremamente altos dos cartuchos originais e aqueles cartuchos cujos preços ficam no meio termo, e que podem ser provenientes de fabricantes que prezam pela qualidade de seu produto ou não.

Novamente, cabe ao usuário separar o joio do trigo e dar preferência para as empresas que tem um nome a zelar e raramente colocam no mercado produtos de qualidade duvidosa.

Empresas que agem de má fé?   Infelizmente elas existem sim e não são poucas. A grande maioria destas usa o processo de recarga dos cartuchos para impressoras laser o que gera, quase sempre, produtos de péssima qualidade.

Aqui abro um parêntese, pois, conforme já mencionado antes, os cartuchos jato de tinta são passíveis apenas de recarga, pois nestes não há componentes que possam ser substituídos. Para estes também existem os produtos bons e ruins. Mas se o usuário der preferência para àquelas empresas que usam tinta de boa qualidade e específica para cada modelo de cartucho, a chance de se conseguir material de boa qualidade é sempre maior do que dando preferência apenas ao material de menor preço.

Cartuchos remanufaturados - feitos a partir de cartuchos originais “reciclados industrialmente”?E o que seria o reciclado industrialmente?

Aqui estão dois termos que não podem ser utilizados de forma conjunta. Cartuchos de toner recondicionados não podem ser chamados de “reciclados”. Este termo não cabe quando se fala da remanufatura, recondicionamento ou recarga de cartuchos.

A reciclagem seria, por exemplo, o aproveitamento da carcaça plástica que depois de moída geraria matéria prima – ABS - para a injeção de um determinado componente, tal como o disco de encoder dos cartuchos Lexmark.

 

Nunca, nos meus 25 anos trabalhando no controle de qualidade do Banco do Brasil, ouvi de qualquer empresa de assistência técnica que fosse, nenhuma palavra a favor dos cartuchos recondicionados.

O discurso era sempre o mesmo – cartucho recondicionado estraga a impressora – o toner não original estraga o fusor da máquina – cilindro não original causa o atolamento do papel e por aí vai.

E isso no Banco do Brasil que usa cartuchos recondicionados desde o final de 1998 e sempre conseguiu adquirir produtos de qualidade.

Empresas de assistência técnica, na sua grande maioria, não são isentas o suficiente para admitir que um cartucho recondicionado possa possuir qualidade igual ou melhor do que um cartucho original.

Os técnicos, na maioria das vezes, não são treinados para diagnosticar problemas de cartucho. Para eles, o cartucho é uma caixa preta. Eles são treinados somente para o diagnóstico da impressora/multifuncional, e na maioria das vezes, quando tem dificuldades em um atendimento técnico e ficam na dúvida, condenam ou o cartucho ou o papel que está sendo utilizado.

Os técnicos são treinados pelos fabricantes para sempre recomendarem os cartuchos originais, e nunca um cartucho de terceiros. É uma questão financeira, pois os fabricantes de impressoras fazem as suas receitas com os cartuchos. E essa receita é considerável. São muitos milhões de dólares por ano.

 

Somente para exemplificar, segue um dos muitos casos que tive o desprazer de acompanhar.

Recebemos uma reclamação de uma agência do BB em Brasília dizendo que o cartucho não estava funcionando. Encaminhamos outro cartucho previamente testado e colocamos algumas das páginas de teste dentro da caixa.

Alguns dias depois recebemos telefonema da mesma agência dizendo que tinham recebido o cartucho, mas que ele também não funcionava. Ora, se tínhamos testado o cartucho antes e ele estava perfeito, o problema só poderia estar na impressora.

Agendei uma visita na agência e quando cheguei constatei que realmente o cartucho não estava funcionando. Perguntei então se algum técnico tinha mexido na configuração da impressora e a resposta foi que sim. O técnico que tinha realizado a última visita tinha mexido no painel da impressora.

Na impressora Lexmark existe um item que é a tonalidade do toner e que por padrão, está sempre no número 8 (OITO). Nesta impressora, o valor tinha sido modificado para 2 (DOIS). Com 2 de tonalidade de toner, NENHUM cartucho funcionaria naquela impressora. Sem falar nada para o pessoal da agência, voltei a tonalidade para 8 e pedi para refazer as impressões anteriores.

Resultado? Impressão perfeita e sem falhas.

Chamei o pessoal da agência e mostrei o que o “técnico” tinha feito e alertei que aquele procedimento era totalmente inadequado e não recomendável.

Os cartuchos recondicionados não são objetos de engenharia reversa quando do processo de recondicionamento.

Neste processo, os cartuchos são, em primeiro lugar, inteiramente desmontados. Todo o resto de pó de toner é retirado, tanto do depósito de pó de toner quanto do lixo. Todos os componentes internos também são retirados.

Alguns destes podem ser reutilizados por mais um ciclo e outros, a exemplo do cilindro OPC, devem ser obrigatoriamente substituídos por novos.

O cartucho totalmente limpo é então montado novamente, com insumos novos e novo pó de toner inserido no depósito (hopper).

Este é o processo correto e quando do uso de insumos de boa qualidade, o resultado é um cartucho novo e de ótima qualidade. E este processo, não pode, absolutamente, ser chamado de reengenharia.


Os diferentes insumos colocados no cartucho são, dimensionalmente falando, idênticos aos do cartucho original, pois de outra forma não encaixariam corretamente nos seus devidos lugares.

A utilização de cartucho não original não pode causar a perda de garantia do equipamento. Este procedimento, largamente adotado por todos os fabricantes de impressora, é ilegal e está previsto no código do consumidor como sendo prática abusiva.

 

Existe alguma diferença entre os cartuchos originais e os, ADEQUADAMENTE, recondicionados?

Nenhuma, ou melhor, existe somente uma diferença. Os originais são comercializados pelos distribuidores dos fabricantes de impressoras e os recondicionados são comercializados pelas empresas que os produzem.
Essa é a única diferença.

Mas repito. Somente os cartuchos adequadamente recondicionados podem se comparar aos originais.

Minha experiência na utilização de cartuchos recondicionados no Banco do Brasil confirma o que acabei de mencionar acima, mas o grande problema deste mercado é que a maioria das empresas que fazem o recondicionamento não o faz de forma correta.

Isso pode ser demonstrado facilmente quando se acompanha um processo licitatório do BB. Na grande maioria deles, as empresas que possuem o produto correto estão em 10º, 15º, 16º ou até mesmo em 18º lugar quanto ao preço.

Mas acabam sendo a empresa contratada para o fornecimento, pois todas as empresas de menor preço acabam tendo as suas amostras impugnadas.

O estudo mencionado na matéria, realizado pela Quality Logic, está sendo questionado na justiça pela ABRECI, pois não reflete a realidade do mercado brasileiro.

A queda do preço dos cartuchos originais está, infelizmente, atrelado ao menor rendimento dos mesmos.

O programa de reciclagem adotado por algumas empresas fabricantes de impressora é uma faca de dois gumes, pois ao mesmo tempo em que impede que carcaças usadas sejam jogadas nos lixões, o que é extremamente recomendável, faz com que estas mesmas carcaças sejam retiradas do mercado, diminuindo a oferta de cartuchos vazios e dificultando a existência de cartuchos recondicionados.

O que, convenhamos, seria ótimo para os fabricantes de impressora né?


 

Roberto Palmer
EQual Consultoria em Qualidade – Brasília-DF

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