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Qualidade


Texto publicado na revista Recicla Mais, nº 149 de maio de 2014

 

Já ouvi de alguns a seguinte pergunta: Quando devo me preocupar com a qualidade?

Ora, para mim a resposta é a mais óbvia possível. Sempre, a todo momento, desde muito antes da produção até os detalhes finais de fechamento da embalagem e despacho para o cliente.

De nada adianta se preocupar com a qualidade apenas em certos momentos e esquecer-se dela totalmente em outros. Assim fazendo, o resultado final será sempre uma incógnita e pode acabara trazendo noticias desagradáveis.

Para que um cartucho possa ser digno de ser chamado de um produto de qualidade, a busca por qualidade tem que começar desde o início. E não do início da produção. Desde o início do planejamento da área de produção, dos equipamentos, da escolha dos fornecedores de insumos, de seus funcionários, dos fornecedores de embalagem e da embalagem propriamente dita.

Recentemente soube de um fornecedor que ganhou o cliente pela embalagem que apresentou. O cliente ficou abismado com a qualidade da embalagem e duvidou que o material entregue teria a mesma embalagem. O fornecedor garantiu que sim e o cliente foi praticamente conquistado.

Um pequeno detalhe que fez toda a diferença. Vi muitas péssimas embalagens nos meus anos de controle de qualidade no Banco do Brasil. Algumas eram menores do que o cartucho e ficava estufada. Não consigo entender o que se passa na cabeça de um fornecedor ao entregar o seu produto com uma embalagem que faz tudo menos proteger o seu produto.

No BB desenvolvemos uma embalagem que era praticamente a prova de maus tratos e garantia que o cartucho chegasse aos mais distantes pontos inteiro e funcionando.

Mas a embalagem é apenas um dos detalhes que um fornecedor que queira ter produtos de qualidade precisa se preocupar, pois não adianta uma ótima embalagem se os insumos com os quais o cartucho foi feito não forem de qualidade também.


Sempre tive uma coisa em mente e tentava passar isso para os fornecedores do BB e para aqueles que almejavam ser um dos novos fornecedores do BB. PREÇO BAIXO não combina com qualidade.

Querer sempre os insumos mais baratos não combina, absolutamente, com produtos de qualidade.

E isso vale para todos os insumos que por ventura venham a ser utilizados nos cartuchos.
Alguns insumos são desprezados e alguns pensam que é tudo igual. Um destes, por exemplo, é a graxa de vedação que é utilizada em cartuchos Lexmark e HP.  Querer sempre a mais barata pode ser uma fonte garantida de prejuízo. As graxas de vedação tem diferente resistência às temperaturas e usar a graxa errada pode fazer com que ela derreta com as altas temperaturas e acabem indo parar aonde não deveria. Se for parar em alguns dos cilindros, é certeza que irá causar manchas na impressão.

Outra coisa que para mim é difícil de entender são os toner universais. Como isso é possível? Para mim é impossível maquinas de velocidade de impressão muitos diferentes usarem o mesmo tipo de pó de toner. Se um pó de toner funciona bem uma impressora de 15 páginas por minuto é muito difícil de ele funcionar bem também em uma impressora de 50 páginas por minuto. O contrário é aceitável, mas aí sua empresa estaria pagando muito caro pelo toner para impressoras de velocidade mais baixas. Pó de toner para impressoras mais velozes são, obviamente, mais caros do que aqueles para impressora de velocidades mais baixas. As temperaturas e velocidade de fusão precisam ser diferentes e isso acaba se traduzindo em material de melhor qualidade e obviamente mais caros.

O mais crítico em todos os cartuchos é a combinação pó de toner, cilindro OPC e cilindro revelador ou magnético. Essa combinação tem que ser a mais perfeita possível. E hoje com a volta das impressoras cujo cartucho usa pó revelador, essa combinação é ainda mais crítica e mais difícil de ser alcançada.

Somente com insumos de qualidade e provenientes de fabricantes confiáveis é possível dar garantia de qualidade de seu produto.

Todos os insumos utilizados nos cartuchos adequadamente recondicionados possuem suas características próprias e querer sempre o mais barato, na minha humilde opinião, é um tremendo erro que pode trazer, com certeza, prejuízo em curto prazo de tempo.

Qualidade não é fácil de se ter e para tê-la é necessário um controle constante de todos as etapas de produção, desde a escolha dos insumos, da adequada limpeza e desmonte dos cartuchos, do treinamento do pessoal de produção e do responsável pelos testes, da realização de testes confiáveis que realmente exijam do cartucho um funcionamento quase perfeito, da identificação do cartucho e da correta embalagem.

A qualidade tem que estar presente em todas as etapas de produção. De nada adianta se preocupar com algumas delas e não com outras, pois fazendo assim o resultado final será uma incógnita. O cartucho poderá estar bom ou não. Sua empresa está preparada para sempre ter surpresas desagradáveis?

E meu conselho é que nunca desprezem a famosa “lei de Murphy”, pois ela está quase sempre contra os fornecedores.  Se houver alguma chance de seu produto apresentar problema, tenha certeza que este aparecerá, e sempre no pior momento.

Ter qualidade sempre é garantia de que seu produto estará a prova de problemas? Infelizmente não. Presenciei algumas vezes, empresas que trabalhavam bem ter problema com algum insumo novo que não tinha sido suficientemente testado.  Em uma destas vezes, uma empresa entregou cartuchos no Brasil inteiro e somente descobriu que a Recovery blade estava com problemas quando fizemos a devolução de toda a entrega.  Nos testes efetuados quando da análise de entrega, quase todas as páginas de teste apresentavam pequenas manchas pretas espalhadas pela vertical. Quando examinamos mais a fundo descobrimos que a recovery blade estava muito dura e ao invés de direcionar o pó de toner retirado pela wiper blade para a lixeira, deixava o pó de toner cair no papel o que causava as manchas detectadas no teste.

O resultado foi que a empresa teve que retirar e trocar todos os cartuchos entregues e deixar de usar aquele tipo de recovery blade.

Ter qualidade é imprescindível, mas não significa que sua empresa esteja 100% a prova de problemas. Como disse antes, a “lei de Murphy” é implacável e se houver algum item para o qual não foi dada a atenção necessária, este poderá causar algum problema.

Solução? Qualidade, qualidade e qualidade. Se a busca por ela for uma prática adotada por todos da sua empresa, a chance de haver problemas com seu produto será sempre a menor possível.

Eu me coloco a disposição para aqueles que estejam a procura de melhorar a qualidade de seus produtos. Mas eu não faço mágica. Somente com insumos de qualidade, com equipamentos e capacidade de produção adequada á quantidade produzida, com pessoal treinado e com um constante desejo de sempre melhorar é possível se chegar a plenitude em termos de produto com qualidade.


 

Roberto Palmer
EQual Consultoria em Qualidade – Brasília-DF

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